jueves, 14 de febrero de 2019

Febrero 2019 C.E.T. - RAZOES OCULTAS PARA LA ETICA

C.E.T. - Razões Ocultas para a Ética


Agnimitra 


Vamos iniciar o nosso círculo de estudos teosóficos. Na nossa última conversa, na sexta-feira passada se não eu engano, nós conversamos sobre ética teosófica. Aquela conversa sobre ética teosófica é um ensinamento basilar para essa etapa do nosso trabalho, para essa etapa de instrução que nós estamos iniciando.

Esse grupo espiritual existe há alguns anos, formalmente ele foi formado em 2011. Eu não sou muito bom de matemática, então vocês podem fazer as contas aí, mas talvez já tenha se passado um pouquinho mais de sete anos. O que acontece é que, em um primeiro momento do trabalho, aqueles seres responsáveis internamente pela instrução desse grupo passaram um tempo conversando conosco na linguagem que alguns de nós usávamos naquele momento. Então no início de 2012 o trabalho foi reformulado, foi mudado nas bases em que ele mais ou menos se sustentou ao longo dos sete anos seguintes. Com uma linguagem própria, com uma visão própria também, mais alinhada com a sabedoria ancestral e mais focada em autodesenvolvimento, e não em fenomenalismo ou salvação pessoal, como era mais ou menos a tônica do grupo no início.

A gente está reiniciando um outro ciclo de trabalho espiritual e vai coincidir mais ou menos com o momento em que essa reformulação aconteceu sete anos atrás. E essas conversas que nós estamos tendo tanto nas terças quanto nas quintas, ou seja, tanto nas DRs quanto nos Ciclos de Estudos Teosóficos (C.E.T.), essas primeiras conversas são muito importantes, então eu peço realmente que vocês também tomem tempo para contemplar esse ensinamento, para investigar esse ensinamento. E se vocês encontrarem afinidade com esse ensinamento, que vocês então permitam que esse ensinamento cale profundamente, primeiro como um objeto de contemplação e então como um empoderador e motivador da sua ação prática.

Nunca, nunca é demais nós falarmos sobre ética na perspectiva teosófica ou, para usar um termo mais comum, treinamento de virtude. Nunca. Apesar de normalmente o treinamento de virtude ser colocado no contexto do desenvolvimento de virtudes externas, o treinamento de virtude na verdade começa por um processo de retificação da visão. Sem uma visão retificada, o treinamento de virtude se transforma num processo artificial de mímica, ou seja, nós começamos a eleger certos padrões de comportamento que nós consideramos estarem alinhados com nosso objetivo ou a nossa meta ou o nosso ideal e a gente começa a repetir esses padrões de comportamento sem compreender porque eles são necessários e sem compreender que, na verdade, esse cultivo de virtude no plano material deve ser reflexo, ao mesmo tempo que um fortalecedor de um processo que está acontecendo dentro. Nenhuma transformação na natureza pode ser considerada duradoura - e com transformação duradoura eu quero dizer aquela transformação que é capaz de ser absorvida no núcleo mais interno da sua consciência, no princípio reencarnante -, nenhuma transformação na natureza é duradoura a não ser que ela parta desse princípio mais interno para fora.

O simples imitar comportamentos externos não corresponde ao treinamento de virtude ou à ética teosófica, dentro da visão da sabedoria antiga, dentro da visão da Fraternidade. Por isso que na conversa de hoje eu quero dar um passo além e mais profundo na compreensão da ética teosófica, e conversar com vocês um pouco sobre as razões ocultas da ética. Para que a gente compreenda as razões ocultas da ética nós precisamos falar um pouco sobre base sólida e meta clara. Esse é o primeiro ponto no cultivo da ética teosófica: base sólida e meta clara. Se nós considerarmos a ética teosófica como uma das linhas mestras do desenvolvimento espiritual, então base sólida e meta clara é um ponto que deve ser continuamente desenvolvido, continuamente retificado e continuamente alinhado.

Nesses sete anos de instruções que nós recebemos dos nossos professores, nós ouvimos exaustivamente a respeito disso com uma determinada expressão: alinhamento ao propósito. Nós ouvimos falar de base sólida e meta clara com essa expressão “alinhamento ao propósito”, e nós recebemos muitos ensinamentos sobre isso. Mas a despeito disso, pela força atávica, hereditária e habitual da nossa mente, o grupo não compreendeu ainda que base sólida é essa e que meta clara é essa. Na verdade essa é uma compreensão que não pode vir de fora, e esses sete anos deixaram isso bem claro, a despeito de todo o ensinamento recebido, a despeito de todos os impulsos recebidos. Se isso não for buscado por você individualmente, se isso não surgir de um esforço, de um movimento seu, como indivíduo, essa compreensão sua não surge. Ela vai ficar restrita ou numa compreensão intelectual que está sujeita a um processo progressivo de cristalização, ou seja, de enquadramento ou dogmatização; ou ela simplesmente vai ser apreendida como uma sensação emocional, quando você ouvir o ensinamento você sente, “ah, isso me faz bem” e você vai ficar preso nessa sensação de bem-estar que o ouvir o ensinamento produz, porque existe Fogo sendo transmitido no ensinamento.

O ensinamento tem a capacidade de lhe pôr num outro estado de consciência enquanto você o ouve, porque se ele é um ensinamento sendo transmitido autenticamente, ele transmite Fogo. E essa é a grande chave do ensinamento, essa é a grande chave do processo de instrução, é que o verdadeiro processo de instrução não está acontecendo aqui fora, não está acontecendo no plano da palavra emitida e da palavra recebida. A verdadeira instrução está acontecendo num plano interno e, claro, ela vai depender basicamente da receptividade e da capacidade do emissor de canalizar Fogo, de canalizar a energia da sabedoria.

Mas a despeito de que falar sobre base sólida e meta clara não seja o suficiente para que vocês possam ter uma compreensão útil para o caminho do que seja essa base sólida e do que seja essa meta clara, ainda assim, nós insistentemente e exaustivamente voltamos nesse ponto, porque cada vez que nós voltamos nesse ponto, nós podemos aproveitar o impulso de romper com as nossas cascas intelectuais e, portanto, permitir que um pouco desse Fogo da instrução encontre ressonância no Fogo da sua presença que se oculta sob essas mesmas cascas intelectuais, sobre esses vórtices emocionais e o peso do corpo físico.

Como nós podemos definir minimamente, então, essa base sólida numa perspectiva teosófica? E de novo eu quero lembrar que quando eu falo de Teosofia eu não estou falando de um grupo particular de ensinamentos que pertence a uma linha filosófica, a uma instituição em particular ou uma religião que seja, não. Teosofia é sabedoria divina e, portanto, Teosofia é sabedoria ancestral. Então quando nós falamos de ensinamento teosófico nós estamos falando do legado da Fraternidade e da herança da humanidade em termos de conhecimento, em termos de método de cultivo interior. Quando nós falamos, então, de base sólida, uma expressão muito simples e no entanto muito repetida, e portanto muito esvaziada de seu verdadeiro sentido, pode ser usada como um norte para a compreensão dessa base sólida. E a base sólida é uma aspiração sincera, uma aspiração consciente de beneficiar a todos os seres. Essa é a base sólida, a base sólida é altruísmo. E só aqui nós poderíamos parar e falar apenas sobre isso, por um tempo sem fim, porque a importância do altruísmo, a importância dessa base sólida tanto para o cultivo da ética, como para todo o processo de cultivo espiritual, não pode ser jamais subestimada por nenhum de nós. Uma vez que, como qualquer base sólida, ela garante a força do prédio, ela garante pela força dessa base que esse prédio se sustente de forma sólida, garante que esse prédio não esteja sujeito a ser derrubado por qualquer vento ou qualquer tempestade, por qualquer fenômeno externo ou mesmo interno.

Se nós considerarmos essa metáfora do prédio como exemplo para o nosso cultivo interior, isso que nós estamos construindo está sujeito a intempéries externas, existem os problemas da vida, existem as perturbações dos elementos externos que são os fenômenos climáticos, os fenômenos de ordem externa, quer venham através dos elementos considerados não humanos ou dos elementos humanos, essas intempéries externas, situações que representam desafios para a estrutura, para solidez, para a coerência e coesão desse prédio; mas também existem intempéries internas, esse prédio não é um prédio vazio e quem está construindo esse prédio também pode levar esse prédio à ruir, especialmente quem está dentro desse prédio. Existem forças que estão atuando dentro desse prédio e essas forças - porque esse prédio tem uma atmosfera interna própria - também produzem por vezes, e muito frequentemente, situações desafiadoras que põem em teste a solidez, a coesão e a coerência desse prédio. Imagine que se esse prédio não tem bases sólidas, facilmente o prédio vai ruir por cima de quem está tentando construir ele. Compreendem a necessidade de base sólida? E aí eu repito: essa base sólida no cultivo da ética teosófica, essa base sólida no cultivo do caminho espiritual é altruísmo, um desejo, uma aspiração consciente, sincera de beneficiar todos os seres.

Esse é um ponto que nós precisamos, então, cultivar. Apenas ouvir que altruísmo é essa base sólida e então passar para o próximo ponto do ensinamento não é o mesmo que você ter compreendido o que é essa base sólida. Até mesmo porque essa compreensão deve ser seguida da ação. E existe uma razão pela qual esse altruísmo é a base sólida do cultivo espiritual, existe uma razão. A razão é que a sabedoria antiga aponta através da instrução e da experiência de gerações e gerações e gerações de místicos e adeptos que todos os fenômenos possuem uma base em comum e que todos os seres humanos são emanações do mesmo espírito e que todo universo em sua aparente diversidade é apenas a luminescência da uma Mente, do um Ser, da uma Vida, o Mistério.

Nós estamos na capacidade e na condição de averiguar essa afirmação? Não! E aqui nós encontramos o primeiro ponto em que nós precisamos aceitar isso a priori, pelo menos, num primeiro momento, como uma hipótese que nós devemos começar a contemplar então, porque se nós começarmos a contemplar nós começamos a ter alguns indicadores, por analogia, de que talvez essa seja realmente a verdade. E a medida então que sua constituição interna vai sendo refinada, a intuição passa a ser a ferramenta que você usa para averiguar a verdade dessa afirmação.

Nós precisamos meditar a respeito da unidade da vida como ponto empoderador da nossa base sólida. Imagine que você está construindo essas bases, você está construindo um prédio, mas aqui você está fazendo a parte do fundamento, você está lançando os fundamentos e você precisa de alguns elementos, não é mesmo? E o elemento que dá coesão e coerência e é a força dessa base é altruísmo, é essa contemplação da unidade da vida. Nós precisamos contemplar isso e trazer isso cada vez mais dentro de nós, cada vez menos como uma formulação intelectual, cada vez mais como uma verdade natural sendo apreendida. E então isso precisa começar a ser cultivado, essa base sólida precisa ser cultivada.

Como é que essa base sólida vai começar a se manifestar externamente? Ética teosófica. A expressão externa natural, espontânea e portanto coerente, portanto duradoura, portanto capaz de afetar a realidade externa e interna do percebedor é essa ética teosófica que nós conversamos na semana passada. Você vai retificando sua visão, você vai retificando a sua intenção, você retifica sua fala, você retifica sua ação, você retifica os seus meios de vida, você retifica sua atenção, sua energia, você retifica sua concentração, espontaneamente, de maneira orgânica e, portanto, natural. A ética teosófica vai sendo estabelecida passo a passo e cada vez mais o egoísmo perde terreno para o altruísmo.

Se nós contemplamos a unidade da vida nós somos levados naturalmente a despertar dentro de nós esse senso elevado que é a nossa única ligação com a Fraternidade, com esses guardiões da sabedoria, com esses seres que encarnaram o ideal do desenvolvimento humano, porque são Budas, Bodhisattvas, Cristos - como cada tradição os chama. Essa é a nossa única ligação com a Fraternidade, percebe? Esse senso de altruísmo. E é nessa medida em que nós nos abrimos para o fluir da Teosofia dentro de nós, o aspecto transcendental da Teosofia e o aspecto imanente de Teosofia.

Nós precisamos estabelecer essa base sólida e aqui eu falo especialmente para o nosso grupo: vocês precisam contemplar essa unidade da vida, para que vocês cheguem a compreender porque a ética é tão importante. Se essa base sólida não é compreendida e não é devidamente estabelecida, todo o curso posterior de ação, que vai ser a prática espiritual, está condenada a fracassar; quando não, pode ser extremamente perigoso para você. E aqui eu não estou querendo, sabe, criar: “Nossa, que dramático ele está sendo! O caminho espiritual, um grande perigo?”. Pode ser um grande perigo. Olhe o mundo ao seu redor e me diga quais desses problemas que nós enfrentamos individualmente e coletivamente como uma civilização não têm suas causas em egoísmo, vaidade, ira, inveja, desejo. Me aponte um problema que não possa ser conduzido como sua causa secundária ou primária a esses venenos mentais! Esses mesmos venenos que em nós naturalmente atuam numa determinada medida, são os mesmos venenos que levam aos grandes massacres, às grandes violações da vida, aos grandes abusos da natureza. É só uma questão de medida desses venenos.

Agora, saiba que o caminho espiritual fortalece a sua vontade e fortalece o seu poder interno. Imagine as suas ações assim empoderadas por essa energia cósmica sendo tingidas ou motivadas por esses venenos! Isso não é desastroso? Isso não deveria ser razão para que nós contemplássemos, com muito cuidado, a respeito da nossa motivação? Isso não deve fazer as nossas pernas tremerem quando nós cogitamos a possibilidade de que daqui a um tempo nós podemos estar nessa posição de sermos os grandes perpetradores desses crimes contra a humanidade, contra a natureza? Porque de fato o sofrimento gerado é imediato para aqueles que nos cercam, mas para nós esse sofrimento é muito mais do que imediato, ele se estende por encarnações e encarnações. Nós não devemos tomar o caminho espiritual de forma leviana, e esse grupo foi insistentemente orientado e inclusive repreendido a respeito desse ponto. Não tomem o Espírito de forma leviana! Porque o Espírito não é essa ideia que vocês fazem de um mundo cor de rosa, bom. A energia espiritual é poder que sustenta a vida. Olhe para a natureza e veja esse poder atuando: esse poder dá a vida e tira a vida, esse poder constrói e esse poder destrói. Esse é o mesmo poder que está na base da formação de um planeta, na dissolução de uma galáxia. É a esse poder que você está se elegendo a aprender a manejar de forma a ser colocado dentro dessas hierarquias criadoras que auxiliam o Logos no processo de concretização de uma realidade e dissolução de uma realidade, considerando as mônadas, as consciências que fazem o seu processo de despertar e de evolução dentro deste palco. Não tomem isso de forma leviana.

Nós não precisamos nem falar dessa coisa grande que ainda está muito longe de todos nós, enquanto coletividade. Vamos falar dos riscos mais próximos, nós temos o grande risco da mediunidade, que degenera o cérebro, que corrompe nossa moral e que leva invariavelmente a grandes distorções de caráter, quando não à completa insanidade. E de novo olha ao seu redor, se vocês já não estiverem tão distorcidos a ponto de não conseguir perceber as discrepâncias que nos cercam, olhem para o meio espiritualista e percebam quantas pessoas não estão manifestando nessa época, visivelmente, grandes desvios de caráter, quando não completa insanidade? E isso é porque quando eu falo de mediunidade eu não estou falando do processo do Espiritismo lá da mesa branca somente, eu estou falando das canalizações, eu estou falando das várias técnicas terapêuticas que mexem com esse processo de manipulação ou manejo do aspecto mais interno da consciência. Quando todos esses atos de feitiçaria, de magia, e que levam à mediunidade são feitos sem uma base sólida de virtude, eles levam invariavelmente a um benefício aparente e imediato, mas a um grande desserviço a você e àqueles que o cercam em maior escala.

Eu sei que ao falar isso eu posso estar comprando uma grande briga, mas chegou o momento, entendeu? Chegou o momento de que a gente chame certas coisas pelo nome que realmente elas devem ser chamadas. Nós enfrentamos, nesse momento, como civilização, um risco muito grande, muito grande. A medida em que a humanidade entra numa outra fase de dinamização do psiquismo, nós enfrentamos um risco muito grande, nós enfrentamos um risco de insanidade coletiva. Nós já estamos vivendo essa insanidade coletiva, percebam, pela nossa incapacidade de aprender os princípios morais mais básicos de fraternidade, de compaixão, de respeito ao outro e de respeito à vida. Agora, imagine que essa nossa condição de distorção moral seja intensificada por uma distorção psíquica. Isso se deve simplesmente pelo fato de que a natureza nos impele a um desenvolvimento nesse nível psíquico. Os corpos a cada geração são mais sensíveis - observem isso. Nós como civilização hoje, as gerações mais recentes sofrem, ou seja, sentem com muito maior sensibilidade do que as gerações anteriores. Isso é desenvolvimento psíquico. O corpo físico está sendo paulatinamente modificado pela natureza para expressar com mais refinamento, com mais sensibilidade, os impulsos psíquicos. Isso é um desenvolvimento biológico. O problema é que coletivamente esse desenvolvimento biológico não está sendo acompanhado por desenvolvimento moral e intelectual. E nós fazemos parte dessa humanidade, então quando eu falo desse coletivo vocês podem muito bem trazer tudo isso para o esquema do nosso grupo. Esse desenvolvimento espiritual deve andar pari passu com o desenvolvimento intelectual, moral e físico. Essas coisas não podem andar díspares, elas não podem ser dissociadas, percebe? Porque quando elas são dissociadas o resultado é sempre desastroso.

Então nós falamos aqui de base sólida. E quanto à meta clara? A sabedoria antiga também fala dessa meta clara como a reunião ou união do raio da divindade na divindade, ou seja, a absorção do homem terrestre no homem divino ou a absorção do ser humano em Deus. Essa é a meta. É a transcendência da ignorância básica de separatividade, essa é a meta. Agora perceba como essa meta não pode ser tomada de forma dissociada da sua base. Se a meta é a união com Deus e Deus é a realidade última e, portanto, una de todas as coisas… E é claro que eu não estou falando aqui de um deus em particular. Eu estou usando a palavra deus apenas por respeito à necessidade psicológica e intelectual de alguns. A expressão mais apropriada seria a Incognoscível Divindade, porque esse “Deus” não é um ser, para começar, não é um ser, então ele não pode ser objeto das suas preces, ele não pode ser objeto dos seus clamores, ele não pode ser objeto da sua adoração emocional, porque ele não é um ser; não é um ser dotado das qualidades de um ser finito. Se essa Divindade incognoscível fosse detentora de qualquer dos atributos que nós geralmente atribuímos ao nosso conceito de Deus, isso não seria absoluto. O absoluto não pode ter relação com o finito. Para ter relação com o finito tem que haver uma distância e uma limitação. O ilimitado não pode entrar em contato com o limitado. Então, o caminho - e agora nós falamos de meta - se encontra dentro, nunca fora. Primeiro, você (ser humano terrestre) precisa ser absorvido no aspecto espiritual da sua consciência, porque esse aspecto espiritual que é um raio, é indivisível d'Aquilo. E essa é a meta.

Agora, essa meta é a meta para todas as mônadas, em todos os universos, em todos os recantos desse grande espaço cósmico. E essa meta vai ser alcançada invariavelmente. Para nossa humanidade, por exemplo, de acordo com a sabedoria antiga, nós temos alguns milhões de anos para que, como coletividade, a humanidade chegue ao estado de emancipação. Então isso irá acontecer. E lembre-se que eu estou falando aqui como coletividade. Isso deve lhes fazer contemplar, porque isso abre espaço para duas outras possibilidades, sobre as quais eu não vou falar porque vou deixar para a intuição de vocês investigar isso. Mas como coletividade, de acordo com a sabedoria antiga, nós estamos na quinta grande era da humanidade neste planeta. E é na sétima grande era da humanidade neste planeta, no fim dela, então, que como coletividade a humanidade alcança um tal estágio de desenvolvimento espiritual que ela então transcende o estado humano e adentra um outro arco de desenvolvimento. Mas ela cumpriu a meta da existência humana, ou seja, o percebedor foi absorvido no Manas superior, o percebedor foi absorvido na alma espiritual.

Isso vai acontecer, a natureza vai dar cargo disso, se você caminhar com a natureza. É claro, a natureza vai lhe levar para isso ao longo de uma série ainda muito grande de reencarnações. E esse caminho não é questionado, esse caminho não é considerado inferior, ele não é considerado pior, esse é o caminho do desenvolvimento natural. Agora, se nós consideramos que para beneficiar a humanidade nós precisamos nos desenvolver mais rápido do que a média dessa humanidade, então por isso o caminho espiritual, que é um processo de aceleração da evolução humana, ele é trilhado e ele deve ser trilhado por essa razão. Porque por outra razão o poder está sendo buscado por egoísmo e aí o resultado disso é desastroso.

Então, tendo essa base sólida e essa meta clara, mais ou menos, delineadas aí, então não tome isso como a definição enciclopédica do que é base sólida e do que é meta clara. Ouçam esse ensinamento, contemplem, investiguem e procurem refinar esse ensinamento dentro de vocês com o uso da intuição. Mas tendo falado disso, isso nos leva a como essa base sólida e como essa meta clara podem ser expressas no nosso plano aqui, porque até agora eu falei e isso tudo parece muito abstrato e muito distante. Para que a gente possa falar do processo mais prático do caminho espiritual a gente precisa entender rapidamente um pouquinho sobre a constituição oculta.

De acordo com a sabedoria antiga, o ser humano é uma entidade sétupla, assim como a natureza é sétupla em seus planos, o ser humano é sétuplo naquilo que o constitui. De acordo com o ensinamento exotérico da Teosofia, então, nós temos essa constituição sétupla sendo descrita como (de baixo para cima, do mais denso para o mais sutil):
  1. corpo físico;
  2. corpo astral ou etérico;
  3. um princípio vital, que é prana;
  4. kama que é a sede dos desejos, das paixões, a força instintiva de desejo, ou seja, a alma animal;
  5. nós temos Manas que é o verdadeiro ser humano, é a verdadeira alma humana, é o princípio reencarnante, e Manas, portanto, por ser o princípio reencarnante é dual por natureza, ou seja, há uma porção de Manas que permanece ligado à tríade superior - à díade superior, que é a mônada, e com ela compõe então uma tríade - e há um aspecto de Manas que é o que encarna, que se une a esses quatro princípios inferiores. Isso nós chamamos aqui de percebedor, a porção reencarnante de Manas é o que nós chamamos de percebedor, ou seja, ele é o peregrino;
  6. então nós temos Buddhi que é a alma espiritual ou veículo do Espírito cósmico;
  7. e temos Atma que é um raio da divindade. E, portanto, ele é colocado aí como um sétimo princípio, na verdade, como um substituto de um princípio oculto na constituição humana e que só é revelado numa instrução mais avançada. Mas de qualquer maneira Atma não deve ser compreendido como uma particularidade individual do ser humano. Atma é aquela luz desse Espírito cósmico que banha tudo indistintamente, portanto é considerado exotericamente como um princípio humano, embora não seja um princípio humanizado - compreendam isso.

Então nós temos: Atma, o Espírito, o raio do Espírito; Buddhi, o veículo desse Espírito, alma espiritual. Isso é a díade, isso é a mônada, essa é a mônada que peregrina através de todas as formas de vida ao longo do ciclo evolutivo desde os elementais mais incipientes até o grande arcanjo. Aí nós temos Manas, Manas é uma particularidade humana. Manas está como potência nos reinos infrahumanos e está em atividade ou em progressivo despertar no reino humano. Manas, cuja natureza é dual, tem uma porção dele - a gente está objetificando essa coisa, mas não compreendam dessa maneira, tá? - um aspecto de Manas, muito mais que uma porção, um aspecto de Manas sempre gravita na direção dessa díade (ou seja, da mônada) e com ela compõe essa tríade monádica; e uma porção de Manas (o Percebedor) é que anima o homem terrestre, o ser humano terrestre, que é o quaternário, que são esses quatro princípios que nós chamamos de personalidade.

Então nós temos um homem material, um ser humano material. O ser humano material é composto do quê? Alma animal, prana (que é vitalidade), corpo astral (ou corpo etérico) e forma física. Esse é o homem terrestre. Isso daqui é o que a ciência chama de o animal humano. Ele é um animal, com os impulsos animais e com aquela inteligência instintiva própria dos animais, que sem o princípio manásico não passa disso e não tem qualquer esperança de imortalidade. Manas é o princípio que une esse homem terrestre, esse produto da natureza, o templo que a natureza constrói para que o Espírito encarne, Manas é essa ponte, Manas é esse link que une, então de forma mais consciente, a mônada ao templo terrestre. Nisso em que Manas faz esse papel, Manas está sujeito ou a se identificar profundamente com o homem terrestre, ou a sublimar o homem terrestre e reabsorver sua fina flor ou o seu fruto como oferenda à mônada superior. E aqui, então, compreendendo um pouco dessa constituição, nós falamos de aspiração e purificação como as duas grandes linhas de ação do caminho espiritual.

Isso não é muito diferente - e talvez vocês vão conseguir, para aqueles que já recebem ensinamentos há um tempo aqui - fazer a ligação dessa aspiração e dessa purificação com as duas grandes classes de treinamento que é sabedoria e concentração. Eu não vou estabelecer nenhuma relação, nesse momento, entre essas duas classes de treinamento, mas vocês talvez possam inferir algumas ligações aí.

Aspiração e purificação, esse é o processo, esse é o caminho. Lembra que eu falei de base, falei de meta e falei de caminho? Sem uma compreensão clara de base, sem uma compreensão minimamente clara de meta, o caminho não pode ser trilhado com a mínima segurança. Vamos falar então de caminho: aspiração e purificação.

O caminho é trilhado pelo percebedor, vamos começar por aí, pelo percebedor. Então quer dizer que caminho espiritual só pode ser chamado realmente de caminho espiritual quando é o percebedor que o está trilhando. Enquanto é o homem animal que está fazendo essa busca, isso não pode ser chamado de caminho espiritual de fato; isso pode ser chamado de desenvolvimento pessoal. Existe uma diferença entre o desenvolvimento espiritual e desenvolvimento pessoal. O que é desenvolvimento pessoal? Desenvolvimento pessoal é todo aquele processo e aquela ação e aquele esforço que gera desenvolvimento das capacidades terrestres, mundanas, humanas. Como por exemplo: uma nova língua que você aprende, uma nova habilidade que você desenvolve, um novo campo de conhecimento que você domina, ou se você se torna mais paciente, ou se você se torna mais gentil, no sentido de que isso facilita a sua vida. Tudo isso que traz um benefício para o eu pessoal é chamado de desenvolvimento pessoal.

Não há nada de errado com desenvolvimento pessoal, o problema - e vocês vão compreender (talvez) aqui - é que especialmente nos dias de hoje, e eu falo “especialmente” porque hoje isso é muito mais sutil e muito mais capcioso do que era no passado, especialmente nos dias de hoje, desenvolvimento pessoal está sendo vendido como desenvolvimento espiritual. Não há nada de errado em você buscar desenvolvimento pessoal, isso faz parte do impulso genuíno da natureza, a natureza através disso está melhorando suas formas, está melhorando os templos que ela oferece para o Espírito encarnar, não tem nada de errado isso. A falácia é acreditar que através do desenvolvimento pessoal você realmente está alcançando desenvolvimento espiritual, e isso não é verdade. E o que difere desenvolvimento pessoal e desenvolvimento espiritual?

Participante: Aspiração.

Não.

Participante: A base, a motivação.

A base, a base. Porque o desenvolvimento pessoal é motivado pelos interesses pessoais, por mais belos, justificados, moralmente elevados que sejam; essa motivação é pessoal, é restrita e está circunscrita à esfera material do indivíduo. O desenvolvimento espiritual tem outra base, tem outra motivação e tem outra meta.

Quando nós falamos de aspiração e purificação, nós vamos entender, então, primeiro que isso diz respeito ao percebedor. E todo o trabalho desses sete anos foi nos levar a alguma consciência de nós mesmos como o quê? Percebedores. Nós recebemos instrução de meditações energéticas para facilitar a nossa travessia de alguns véus mais densos psicológicos, recebemos técnicas de concentração para afinar nossa atenção e recebemos muita instrução de sabedoria para romper com nossas estruturas intelectuais e podermos investigar com um pouquinho menos de risco e um pouquinho mais de habilidade a natureza de nossa consciência.

Então quando o percebedor desperta - e esse despertar do percebedor quando acontece, frequentemente, é tomado como despertar espiritual, o que não é - esse despertar do percebedor é um despertar psíquico, ou seja, a consciência se deu conta de que ela é um elemento ou ela é um aspecto além, embora dentro, desse quaternário. O corpo físico, o corpo etérico, a vitalidade e a sede das paixões (sabe, as emoções e pensamentos, a alma psíquica, animal) não são eu, em nada disso se pode encontrar um eu. Quando percebedor desperta para isso, isso é o despertar do percebedor, mas isso não é um despertar espiritual, isso não é a meta. Isso daí é o começo do caminho! Porque aqui, então, o percebedor tem uma relativa clareza de que existem duas grandes forças que batalham pela conquista dele: uma força que o puxa para baixo, para se identificar com os seus pensamentos, suas emoções, suas paixões, seus desejos, seus instintos, seu corpo físico; e uma energia que o puxa para cima, que o leva a aspirar essa absorção no Divino, que o leva a aspirar essa transcendência da sensação de separação que ele experimenta porque está ligado no corpo físico, que o leva a aspirar a afetar todos os seres que ele começa a intuir ou a desconfiar que não são outra coisa senão o único e verdadeiro Eu que ele possui.

E nesse campo de batalha, então, o percebedor se encontra quando ele desperta, e aqui ele tem duas ferramentas, ele tem dois trabalhos a fazer: aspirar continuamente à meta elevada e se engajar exaustivamente, com todas as forças que ele possui, na purificação desse quaternário inferior, porque é o grande serviço que ele pode oferecer para humanidade nesse momento e o grande serviço que ele presta, em última instância, à Natureza que não é senão a face revelada d'Aquilo misterioso e não revelado que é a verdadeira essência. E essa aspiração é meditação. Uma meditação que não é essa aspiração, não é meditação de fato, não é meditação espiritual e, portanto, tem os seus graves riscos de desvio e de distorção psíquica e moral. E uma purificação que não seja motivada por esse processo vai ser aquilo que eu chamei de mímica, um arremedo de virtude, porque o cultivo da virtude é o processo de purificação e o treinamento de meditação é o processo de aspiração.

Nós vamos ficar por aqui. Eu peço que vocês estudem essa partilha durante essa semana, que vocês formulem suas questões para que nós possamos tratar delas na próxima terça-feira, na DR. E que vocês, ao contemplar, aí sintam o seu nível de afinidade e então possam ou não continuar com os próximos ciclos de estudo que nós vamos ter a cada semana. É isso, gratidão pela escuta, gratidão pela presença de vocês virtual e física aqui. E nós nos vemos semana que vem.


Partilha feita por Agnimitra em 08.02.19.
Transcrição feita por colaboradores do Jardim Aní – www.jardim-ani.com.br