viernes, 25 de enero de 2019

Enero 2019 Lidando com os Obstáculos na Meditação

Lidando com os Obstáculos na Meditação

Salve! Boa noite!

Muy bien.  Vamos entonces a alineawr el propósito.  La alineación al propósito es una parte muy importante del proceso de curación de la conciencia. En realidad, la alineación al propósito es equivalente a la cura.
Cuando hablamos de los Cromas, por ejemplo: los cromas son esas doce energías básicas de la naturaleza. El cuarto Croma, estamos hablando de la Cura Cósmica.  Estamos hablando de esa fuerza o de esa cara de fuerza cósmica que ajusta los elementos, ajusta la causa y efecto, que ajusta los planos en la naturaleza, que ajusta todas las cadenas de esa corriente que es la vida.  Alineación al propósito forma parte de nosotros como seres humanos.


Qué quiere decir "Alineamiento al propósito en la práctica? Debemos recordar porqué estamos practicando. Ya sea en la práctica de meditación sentada, en la práctica energética o en la práctica de escuchar la enseñanza.  Escuchar una enseñanza es también una práctica meditativa.  Escuchar una enseñanza también debe ser hecha como una práctica meditativa.  Ustedes están entrenando



Você está treinando e mais do que isso, você está praticando Jnana Yoga, a Yoga do conhecimento, que não é simplesmente você acumular informação intelectual, mas é o processo pelo qual o professor lhe conduz, rompendo seus esquemas cristalizados, você se permite esse exercício de investigação da realidade, questionando sua perspectiva, questionando seu ponto de vista e lhe permitindo expandir sua percepção.



Nós alinhamos o propósito estabelecendo as premissas básicas do porquê praticamos. E nós precisamos ter alguma clareza a respeito dessas premissas do porquê praticamos. Porque isso está completamente relacionado com o tema da nossa conversa: os obstáculos à meditação. Muito da força dos obstáculos da nossa meditação surgem de um não correto alinhamento ao propósito ou um desalinhamento do propósito.



Às vezes, nós achamos que alinhar ao propósito é simplesmente, no início da prática, a gente lembrar que é em benefício de todo o mundo. A gente meio que repete isso mentalmente, "ah não, esse momento aqui eu ofereço bla, bla...", e a gente acha que é suficiente. Mas na verdade, nem essa aspiração é sincera, como não está enraizada num momento de lucidez a respeito do porquê nós precisamos dedicar isso para todos os seres.



Nós devemos lembrar da nossa falha fundamental em termos mentais. Nossa mente conceitual tem uma falha fundamental. Nós precisamos lembrar disso, porque isso é porquê praticamos: nós temos um problema. Nós temos um problema. Eu tenho um problema. Não é só porque o mundo sofre, porque o egoísmo facilmente pode se revestir de belas palavras e bons conceitos. Nós podemos facilmente estar, através da nossa prática, nutrindo o nosso egoísmo travestido dos mais belos discursos. Nós devemos ter cuidado com isso.



Nós praticamos porque nós temos um problema fundamental e o nosso problema fundamental é o autocentramento, nós estamos confusos. Mas nós não estamos confusos com algo lá fora. Também estamos, mas esse não é o problema fundamental. Essa confusão fundamental não diz respeito a porquê nós não entendemos alguma coisa corretamente. Nós não entendemos corretamente um monte de coisas, mas esse não é o nosso problema fundamental.



Nosso problema fundamental é uma confusão no funcionamento da Alma, do Percebedor - esse aspecto da Alma que conhece, que sabe. O Percebedor está identificado com a forma, com os sentidos. Essa identificação dá nascimento ao eu pessoal e essa é a fonte de todos os nossos problemas, essa é a fonte de todos os nossos sofrimentos. Nossos! Nossos, não só meu.



Aqui sim, começa a fazer sentido porque nós precisamos alinhar o propósito no início da prática. E porque nós fazemos isso gerando aspiração de que esse momento, ou o que quer que nós consigamos receber, não fique restrito a nosso benefício apenas, porque é exatamente essa limitação ao eu que é o nosso problema fundamental. Então, fazer aspirações para que qualquer que seja o benefício que nós consigamos imediatamente seja partilhado com todos os seres é um antídoto para esse problema fundamental.



E isso é cura. Isso é cura, a cura da nossa confusão. Então a prática se torna um aprofundamento dessa primeira ideia. O ouvir o ensinamento se torna um aprofundamento dessa primeira ideia e nós temos mais facilidades de lidar com os obstáculos que surgem, porque os obstáculos surgirão.



Tradicionalmente, nós falamos de cinco obstáculos à meditação. Hoje eu não vou conversar sobre técnica meditativa, nós vamos fazer isso nos encontros de terça-feira. Hoje eu quero falar um pouco sobre obstáculos que surgem na prática meditativa, porque algumas pessoas fizeram perguntas relacionadas com isso. Então, ao invés de eu responder pergunta por pergunta, a gente vai falar sobre todos esses obstáculos. É claro, a gente não vai conseguir entrar muito profundamente, mas essa é uma conversa que precisa ser feita de tempos e tempos e a gente pode abordar cada tópico mais profundamente em outro momento.



Tradicionalmente se fala de cinco obstáculos à meditação: desejo, ambição - desejo; aversão; preguiça, torpor; inquietação, ansiedade; e dúvida. Cinco obstáculos principais e eles podem vir em algumas variações, mas essas são as cinco classes de obstáculos principais que um praticante de meditação enfrenta.



Vamos ver cada um desses obstáculos. Talvez, o obstáculo do desejo seja um dos mais comuns. Quando você fala “desejo”, pode ser que num primeiro momento você não consiga reconhecer imediatamente a frequência com que esse obstáculo se manifesta, mas na verdade, quando você senta para meditar e você pensa sobre alguém, você pensa sobre um lugar, você pensa sobre uma atividade, você pensa sobre comida, você pensa sobre como você poderia estar fazendo qualquer outra coisa – "desejo". Esse é o obstáculo do desejo.



Então, nós vamos para o obstáculo da aversão. O obstáculo da aversão não precisa se manifestar necessariamente através do ódio, mas pode se manifestar através da má vontade. Seja por conta de algum incidente, algum fenômeno, alguma experiência pela qual nós geramos uma experiência de repulsão ou aversão, ela surge no momento da prática, então nós nos distraímos da prática, pensando naquilo pelo qual temos aversão ou tivemos algum problema, raiva... Ou seja, a própria má vontade em relação ao ambiente no momento ou a qualquer fenômeno acontecendo no ambiente da prática naquele momento. Esses estão na classe da aversão.



Depois, nós temos a preguiça e o torpor. A preguiça é uma questão física, aquele peso no corpo e otorpor tem mais a ver com uma confusão mental. Ambos estão ligados à desenergização, a uma queda de energia. E é muito interessante, nós precisamos diferenciar o que é esse obstáculo, da falta do sono. E há uma forma muito simples de você testar se o seu torpor naquele momento é falta de sono ou não. Pense numa fantasia, um desejo, uma história agradável, qualquer coisa que você goste. Se o seu funcionamento mental aumenta, se sua mente fica alerta, se o sono vai embora, não era falta de sono, era o obstáculo da preguiça e do torpor. É muito simples. A gente experimenta isso muitas vezes quando está fazendo uma coisa que não gosta e está naquela preguiça horrível, aquele "ah, quero dormir". E aí, você vai dormir e você pensa em qualquer coisa que te atrai e daí a pouco você não tem sono nenhum. Esse é um teste para saber se você está enfrentando realmente o obstáculo da preguiça ou do torpor.



Então nós temos a inquietação. A inquietação pode vir como ansiedade e está ligada àquele burburinho, que também pode ser físico. Essa inquietação geralmente está relacionada com nosso estilo de vida e quanto mais o nosso estilo de vida é desregrado, desordenado, mais esse obstáculo da inquietação pode surgir. Ou por muito stress acumulado, stress, claro, psicológico, mas também pelo estilo de vida mais acelerado que nós temos. Nós temos muitos estímulos, então os nossos sentidos ficam hiperestimulados.

Então nós temos aí esse quarto obstáculo.

E a dúvida, considerado um dos ou o mais perigoso dos obstáculos, porque é aquele obstáculo que realmente pode fazer com que você pare de meditar, por isso ele é considerado o mais perigoso. E esse tipo de obstáculo, o obstáculo da dúvida geralmente surge com aquelas questões: "Será que eu estou meditando direito? Mas será que eu estou fazendo certo? Não, mas será que é assim mesmo? Ah, mas será que ele explicou direito? Será que ele sabe do que ele está falando? Será que existe esse negócio de iluminação? Será que o problema realmente é esse? Será que essa técnica funciona?". Será, será, será? E se, e se, e se? Geralmente, é assim que o obstáculo da dúvida surge.


Então nós temos aí, basicamente, os cinco obstáculos à prática. A orientação básica para como se lidar com os obstáculos à meditação é: reconheça, aproxime-se do obstáculo. Muitas das vezes o obstáculo desaparece simplesmente por esse movimento de você reconhecer. Qualquer que seja o obstáculo, ele não deve ser ignorado. O seu obstáculo deve se transformar no seu objeto de meditação.



E agora eu vou dar dicas específicas. Há um passo-a-passo que você pode seguir para lidar com qualquer um desses obstáculos: quatro, quatro passos:



Primeiro: Reconheça, reconheça o obstáculo. Você identifica o obstáculo. Bom, eu estou com esse peso no corpo, isso é preguiça, isso é canseira, leseira, qualquer que seja o nome que você use. Eu estou enfrentando esse obstáculo do torpor.



Então você deve aceitar. Você reconhece o obstáculo e então você aceita o obstáculo. Enfim, está presente. E você olha para aquilo. Você investiga o obstáculo. Que sensação, que sensação que esse torpor gera no meu corpo? Que sensação esse torpor gera energeticamente? Que sensação esse torpor gera mentalmente? A que está ligado esse torpor? Você investiga, você presta atenção notorpor ou no desejo. Mas você investiga, então você identifica. Você reconhece, o obstáculo não é o que você é. O quarto passo é esse processo de não identificação, porque você percebe que a luz da consciência observa o obstáculo acontecendo.



Então esse é o passo-a-passo básico: reconhecer, aceitar, investigar e não se identificar. Essa investigação é o ponto mais complicado desse passo-a-passo. Porque você pode transformar a investigação em desculpa para não praticar. Surge um obstáculo na prática e você começa um diálogo mental. Mas não é um diálogo mental sobre, é uma observação de. É você reconhecer: "Tem aqui o obstáculo do desejo. Tudo bem, ok, aceito, desejo". E você olha. Isso é a investigação, você olha que sensação desperta no corpo, que tipo de emoção está rolando, que tipo de pensamento, qual é a posição corporal, onde é que toca aquela emoção, aquele desejo, é mais no ventre, é mais no estômago, é mais no peito, é mais na cabeça... E você olha e você não se identifica. E esse é o processo, pronto!



Nesse processo, o próprio obstáculo vai enfraquecer e você pode retornar para sua prática meditativa. Aí, provavelmente, vai surgir outro obstáculo ou mesmo o obstáculo pode se repetir e você repete o processo. Porque, na verdade, os obstáculos à meditação são uma grande ajuda na prática meditativa. O lidar correto com os obstáculos fortalece enormemente a nossa capacidade de concentração, a nossa capacidade de unir tranquilidade e alerta.



O estado meditativo, especialmente na prática de concentração, para o cultivo da concentração - como é a prática do Portal da Serenidade, essa meditação que cultiva a presença, cultiva a concentração - é uma união de tranquilidade e alerta. E nós podemos relacionar muito bem os diferentes obstáculos por um desequilíbrio entre tranquilidade e alerta. Se sua mente está muito tranquila mas ela não está alerta, você vai cair nos aspectos negativos. Quando eu falo negativo, eu quero dizer uma baixa de energia. Tranquilidade, sem a qualidade de alerta da mente, gera torpor, gera sono. Vai gerar essa baixa de energia. E se você tem muito alerta mas pouca tranquilidade, você vai pender para a hiperatividade, você fica irrequieto, desconfortável no corpo, a mente fica muito acelerado. E o estado meditativo, a serenidade, que é o estado meditativo que a gente alcança pela prática, é um equilíbrio entre tranquilidade e alerta.



Esse é um ponto muito importante, porque especialmente novos praticantes têm uma tendência enorme a confundir o estado de serenidade com simples relaxamento físico. Então é muito comum ser presa de confundir serenidade com torpor. Você está lá meditando e você sente aquele relaxamento, aquilo é gostoso, gera desejo, gera apego, mas você não está alerta. Você está enevoado e você acha que isso é o estado de não-pensamento da meditação. Na verdade, você está lá, insensível, com o chapéu na cabeça, como dizem os mestres tibetanos. Tudo escuro. Os sentidos estão amortecidos e isso não é o estado de serenidade.



O estado de serenidade, o estado de concentração, de dharani que leva à dhyana, é uma união de tranquilidade e alerta. Há uma qualidade luminosa da consciência que se revela à medida em que a concentração se estabelece com mais força. Não é como se a luz da consciência se apagasse, é o contrário! Quanto mais alerta a consciência está nesse estado de tranquilidade, mais luminosa é a qualidade da percepção.



Então vocês chequem sua prática. Não importa que tipo de prática você faça, porque esses obstáculos não surgem só para o Portal da Serenidade. Se você estiver fazendo qualquer prática meditativa, você vai encontrar esses obstáculos. Mas, especialmente, olhe para essa confusão com relação ao torpor.



Bom, algumas dicas específicas para você lidar com cada um desses tipos de obstáculos:


Quando nós falamos do desejo, por exemplo, uma forma muito boa de você contrapor o desejo, caso simplesmente reconhecer o desejo não funcione, é você meditar a respeito das qualidades repulsivas do objeto desejado. Vamos supor que você está meditando e você lembra daquele menino ou daquela menina super lindo, super atraente que você viu naquele dia ou no dia anterior e você começa a pensar sobre aquilo. Você começa a criar fantasias na sua cabeça.

Uma forma muito boa é você pensar nas qualidades repulsivas daquele objeto. Primeiro, lembre da impermanência. Aquele objeto vai passar. Isso serve para um corpo humano, isso serve para comida, isso serve para qualquer que seja o seu objeto de desejo. Lembre da impermanência. Então, lembre-se da sua impermanência. Isso vai elevar o seu nível de energia e você volta a praticar, porque odesejo é o maior vazador de energia. Na verdade, desejo é a energia da alma fluindo para fora e nós perdemos muita energia desejando. Porque o desejo é um processo complexo, que envolve o aspecto intelectual, o aspecto emocional, inclusive o aspecto físico.



Então, há muito desgaste de energia com o desejo. E o desejo está atrelado à inquietação. Esses dois obstáculos andam um do lado do outro, tanto é que quando nós simplificamos o ensinamento sobre obstáculos da meditação, nós falamos só de três obstáculos, que é a dúvida, o desejo e a aversão. Porque, na verdade, a inquietação está relacionada ou com a aversão ou com o desejo e o torpor também, porque esse torpor surge de um apego a uma experiência que você acha confortável naquele momento ou ele é a fuga de um desconforto.



Então, com relação ao desejo, fica essa dica. Você contempla os aspectos repulsivos do objeto, você contempla a impermanência, então você volta a alinhar ao propósito. "Hum, tem uma razão pela qual estou praticando. Aquele objeto, por mais aparentemente atraente e agradável que seja, ele não vai resolver meu problema fundamental. Deixa eu retornar para a minha prática".



Claro, existem outras coisas que podem ser feitas, mas essas são as mais eficazes. Com relação aodesejo, contemplar a impermanência é o melhor antídoto. Com relação à aversão, então, uma coisa muito boa a se fazer quando você está enfrentando o obstáculo da aversão é você reorientar o seu foco. Você reorienta o seu foco. Passe a contar a sua respiração, se concentre nas sensações do seu corpo, tire o foco do objeto da aversão.



Caso isso não funcione, você deve começar a estabelecer uma prática de compaixão. No Oriente, isso chama-se de mettabhavana, a meditação do amor e da compaixão. Então, você pode fazer esse tipo de prática. No encontro, eu ensinei, é uma prática muito simples. Nós vamos fazer uma das nossas sessões de prática nas próximas semanas, vai ser só de mettabhavana, para a gente relembrar essa técnica e usá-la.



Mas é muito simples. Mettabhavana é você despertar compaixão. Você começa pensando nas qualidades positivas que existem na vida, nos seres e isso vai despertando uma sensação boa. Ou você pode também contemplar como os seres estão desamparados. Você pode contemplar o sofrimento dos seres e aí, quando você vai contemplando o sofrimento dos seres, você vai chegar naquela pessoa que é o objeto da sua aversão, ou naquela situação que é o objeto da sua aversão e você vai compreender que é ignorância. Isso pode lhe ajudar, então, a dissolver ali o obstáculo daaversão.



Com relação a torpor, então, como torporpreguiça é uma baixa de energia, é necessário elevar, é necessário subir a taxa energética. Você pode fazer isso tocando seu corpo. Se você está muito sonolento, com muito torpor, você pode estimular o seu sistema nervoso e sensorial. Você toca seu rosto, toca suas mãos, mexe um pouco o corpo e foca na sensação física, volta a sensação para o corpo.



Se você está num nível de torpor, mas que não é tão a ponto de você estar realmente dormindo, você pode simplesmente respirar mais profundamente algumas vezes, respira três vezes e solta o ar pela boca e passa a contar suas respirações ou leva a atenção para uma sensação específica no corpo, porque esse foco eleva a taxa energética. Então, essas são técnicas que geralmente funcionam para se lidar com o obstáculo do torpor.


Quando você encontra o obstáculo da inquietação, também tentar reorientar o foco é uma boa num primeiro momento e se isso não funciona, saibam que a inquietação é geralmente fuga daquilo que é desconfortável. Então, você também pode fazer uma meditação de compaixão, uma mettabhavananaquele momento, porque a mettabhavana é ótima para despertar contentamento e quando a mente está contente ela fica serena.


O grande segredo da serenidade é contentamento e claro, contentamento quer dizer o quê? Contentamento não quer dizer satisfação. Contentamento quer dizer "estou pleno neste momento, nada me falta, o agora me basta". Esse estado de contentamento naturalmente gera serenidade, vem atrelado à serenidade e esse é o antídoto da inquietação, porque a inquietação é "estou desconfortável".



Você pode estar desconfortável com alguma situação da qual você vem fugindo, pode ser algum trauma psicológico, alguma impressão energética que não foi bem absorvida, pode ser um desconforto com a própria prática. Você não está sabendo conduzir sua energia muito bem na prática, está fazendo ela mecânica ou repetitiva ou esqueceu do porquê está fazendo. Então você pode fazer uma meditação de compaixão e isso gera contentamento. Isso eleva o nível de contentamento, e o contentamento torna confortável e a mente naturalmente vai serenar.



Mas outras técnicas além dessas são também respirar profundamente, muito parecido com as técnicas usadas para o torpor, porque na verdade, inquietação e torpor são desnivelamentos da taxa energética. Um é a hiperatividade e outro é uma baixa na atividade energética. Então as técnicas são semelhantes.



Com relação à dúvida. Você reconhece a dúvida. Você aceita a dúvida. Você investiga a dúvida, no sentido de que você observa de onde é que ela está vindo e você não se identifica com a dúvida. Se essa dúvida persiste, então você deve deixar essa dúvida de lado e tentar fazer a sua prática, até o final. E aí, o que você deve fazer é buscar alguém em quem você tenha confiança, seu professor de meditação provavelmente seria essa pessoa e esclarecer sua dúvida. Ouvir o ensinamento, porque essas dúvidas geralmente estão ligadas à insegurança e à não-compreensão. Por isso é muito importante ouvir o ensinamento, porque ouvir o ensinamento vai dissipando essas dúvidas e aí, claro, depois há necessidade de um certo voto de confiança com você mesmo.



Claro, tendo esclarecido suas dúvidas intelectuais, ou seja, você tem a visão da prática mais ou menos clara, então você tem que praticar. Você tem que dar esse voto de confiança a você. Você tem que praticar para testar e aqui é o lance com relação à dúvida, porque a dúvida pega no ponto resiliência, no ponto comprometimento, no ponto empenho e disciplina. E esses são pontos geralmente não amadurecidos em nós como seres humanos.



Então esse é um ponto desafiador, mas tendo esclarecido intelectualmente com o ensinamento e com o contato com o professor, então você precisa se engajar na prática, você precisa praticar para ver os efeitos. E os efeitos vão surgir. E os efeitos surgindo, isso gera confiança baseada na experiência e não mais baseada na compreensão e essa confiança baseada na experiência empodera sua prática e isso se torna um ciclo que se alimenta naturalmente.



Tem uma questão aqui: "Tem dias que medito, que eu sinto no coronário uma forte energia, a ponto de ficar tonta. É normal isso?"



Sim, é normal. Um dos primeiros sinais da concentração são os sinais energéticos. E isso gera como se fosse uma energia de excitação ou de êxtase, mas há uma palavra - essas palavras não descrevem bem a qualidade desse primeiro movimento energético. É um aspecto da energia mais densa, que geralmente está ligada com o corpo físico e com o corpo etérico. Então são aspectos mais grosseiros da energia. É o que se chama de piti no Oriente, que geralmente é traduzido como êxtase, mas êxtase no sentido de, porque gera um, como se fosse um jorro de energia. Às vezes você sente isso através de arrepios, ou você sente aquecer ou você sente esfriar partes do corpo, enfim. Há percepções energéticas, mas percepções físicas, são essas percepções energéticas físicas. A gente sente no corpo a energia. Isso tudo é piti.



O que acontece é que à medida que você vai treinando sua concentração, a mente vai ativando níveis mais amplos, ou ela vai liberando a energia que está mantida. A energia está fluindo para fora através do desejo. À medida que vocês se concentram no objeto da meditação, a energia começa a fluir para dentro. Então você começa a sentir essa energia. Claro, essa energia vai começar a tocar o seu corpo físico e etérico e se você continua praticando, você vai começar a experimentar sukha, traduzido geralmente como felicidade, bem-estar, contentamento. Mas aí, esse é o aspecto psicológico, mais interno da energia.



Há uma pergunta aqui: "Se deve colocar a atenção nisso?" Essa é uma pergunta que foge do nosso tema. Para entrar nisso, eu vou ter que explicar a prática como um todo, para você identificar os níveis. Em geral, não. Existe um ponto em que você coloca a atenção nessas manifestações energéticas, mas é num nível mais à frente na prática. A gente vai conversar sobre isso mais na frente.



Outra questão aqui é: "Então você não dá atenção?", a pergunta feita aqui pela pessoa que perguntou sobre a energia no coronário. Simplesmente não dê atenção para isso, volte a atenção para o seu objeto de meditação. Eu não sei, na verdade, que prática ela está fazendo, então, fica difícil. Mas, na prática do Portal da Sabedoria, que é uma prática de cultivo de concentração ou no Portal da Serenidade, por exemplo, você coloca a atenção na sua respiração ou na sensação do corpo, você deve levar a atenção de volta para o seu objeto de meditação.


Outra questão aqui é: "Toda vez que vou praticar, eu começo a bocejar. Pode ser de manhã, de tarde ou a noite. Seria o obstáculo da preguiça"?

Não, esse não é o obstáculo da preguiça, a não ser que você esteja sentindo efeitos físicos. Simplesmente se você boceja, isso é apenas o seu corpo tentando equilibrar o nível energético, então é uma adaptação. Seu corpo está lidando com o nível de energia que a prática desperta. Agora, se esse bocejar vem acompanhado de moleza física ou um torpor mental, sim, aí o bocejo, na verdade, é um sinal de que sua energia caiu, então, o corpo está tentado também reverter esse processo. Você deve analisar o que acompanha esse bocejo, porque não é o bocejo que cria a preguiça, o bocejo já é um sinal de alguma coisa. É um sinal de um movimento físico, de um processo biológico ou ele pode ser sinal de um processo psicológico. Então você tem que verificar o que acompanha esse bocejo.


Participante: Um espirro, tem alguma coisa a ver?


A irmã pergunta aqui sobre o espirro. É a mesma questão, a mesma questão. Você tem que ver a qualidade da experiência do seu corpo e da sua mente no momento da prática, porque esses sintomas físicos podem vir por qualquer razão. Pode ter alguma coisa no ambiente em que você está que desperta essa reação e que você nunca prestou atenção ou pode ser uma reação energética. E aí não há o que você fazer com isso, porque isso não estava aí antes. Não é como se você espirrasse desde sempre quando você medita, isso começou a acontecer em algum momento e isso vai parar de acontecer em algum momento assim que as condições mudarem. É assim que você deve ver esses fenômenos. "Está aqui. Muito bem". Se não causa maior problema, você simplesmente lida como se fosse um carro passando na rua.


Alguém enviou uma pergunta sobre alimentação. Uma coisa muito interessante sobre alimentação e relacionado à prática: a orientação básica é que você não se alimente e não coma muito antes da meditação. O ideal é você não comer antes da meditação. Você, pelo menos, dá um espaço de uma hora, duas horas, entre uma hora e duas horas, dependendo de teu metabolismo, entre a refeição e o momento de uma prática. Mas isso depende do metabolismo, depende da qualidade do alimento que você está ingerindo, se é um suco, se é um líquido, isso geralmente não vai produzir nenhum peso. Mas, o fato de você estar digerindo faz com que sangue desça do cérebro para o estômago e isso torna a atividade cerebral mais baixa, o que vai gerar torpor e cansaço.



Orientações de alimentação no sentido geral - porque a pergunta foi num sentido geral - é muito complicado a gente falar de orientação sobre alimentação, porque nós somos muito diferentes, nós temos estilos de vida diferentes, temos ritmos biológicos e necessidades biológicas e psíquicas diferentes.



As linhas gerais de alimentação é, se alimente da forma mais leve que você puder, evite alta ingestão de açúcares, de farinha branca, de gordura, essas coisas que a gente ouve em todo lugar. Evite muito industrializado e muitos estimulantes. Especialmente para prática da meditação, comidas muito condimentadas, industrializadas e com muito estimulante, elas vão se refletir na sua prática meditativa. Mas eu não falo sobre dieta vegetariana ou vegana ou coisa ou outra porque nós temos necessidades biológicas.



Então você deve se alimentar bem, você deve se alimentar bem, de forma saudável, mas, não existem muitas orientações específicas, não. Para se dar num nível geral, não. É preciso ver qual é a sua necessidade, qual é o seu ritmo biológico. Mas aí, eu creio que os nutrólogos sejam mais úteis nesse aspecto. Com relação à meditação é apenas, frugalidade, bom senso, caminho do meio. Não exagere. Isso já é o suficiente.



Bom, então é isso. Se vocês ficaram com dúvidas, ficaram com dúvidas específicas sobre alguns desses obstáculos ou sobre as dicas que foram dadas, formulem suas questões e enviem por e-mail, enviem por Whatsapp e a gente conversa sobre elas em outros estudos. E é isso. Gratidão.



Gratidão, Ani Maritumi!

Boa noite. Fiquem em Paz.

Partilha feita por Agnimitra em 25.01.19.
Transcrição feita por colaboradores do Jardim Aní – www.jardim-ani.com.br